A importância da orientação adequada sobre o citomegalovírus durante o pré-natal

Data: 
quinta-feira, 1 Março, 2012 - 17:28
A importância da orientação adequada sobre o citomegalovírus durante o pré-natal

Nos Estados Unidos o Citomegalovirus (CMV) congênito ocorre em aproximadamente 1 a cada 150 nascimentos, podendo levar a graves seqüelas em 1 para cada 750 recém nascidos (perda de visão, perda de adição e retardo mental).

Um meio comum de transmissão do CMV para grávida é ao contato íntimo com fluidos como urina, saliva ou lágrimas contaminadas (principalmente de crianças).

Como não existe vacina e as opções de tratamento são muito limitadas, a prevenção na gravidez deve ser bem orientada pelo obstetra através de práticas simples e tradicionais para doenças infecciosas como uma boa higiene das mãos.

Estas práticas têm sido encorajadas por organizações como o Centro de doenças infecciosas e o colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia os quais recomendam que ginecologistas e obstetras aconselhem as gestantes a terem cuidado ao manejar artigos que possam estar contaminados pelo CMV como, por exemplo, fraldas e sempre lavar bem as mãos após o contato intimo com crianças pequenas.

Como a infecção pelo citomegalovírus é comum em crianças que freqüentam creches, as mulheres grávidas devem sempre lavar as mãos cuidadosamente após terem tido contato com urina, secreções nasais e bucais dessas crianças.

Apesar destes conselhos para evitar a infecção durante a gestação poucas mulheres tem conhecimento sobre o citomegalovirus, suas conseqüências e como preveni-lo. Em um recente estudo americano verificou-se que apenas 44% dos obstetras orientavam a gestante adequadamente neste sentido. Este resultado enfatiza a necessidade de treinamento e atualização constante dos obstetras na tentativa de diminuir a incidência desta doença.

O que é o citomegalovírus?

Trata-se de um vírus que pertence à família dos herpes-vírus, que possui o homem como seu único hospedeiro. Desta família também fazem parte o vírus Herpes (tipo I e II), Varicela-Zoster, Epstein-Barr e o vírus associado ao Sarcoma de Kaposi. Após uma infecção aguda, o vírus não é eliminado do organismo e permanece em seu interior sob a forma latente, podendo ser reativado em diferentes circunstâncias, principalmente nos casos de alterações imunológicas, como na gestação.

Como a infecção pode ser adquirida durante a gestação?

A contaminação pelo vírus é inter-humana necessitando de contato íntimo no qual as secreções biológicas como saliva, lágrimas, leite materno, secreções genitais e urina atuam como vetores. Outras fontes de transmissão incluem transfusões sangüíneas e transplante de órgãos.

A transmissão vertical (da mãe para o feto) do vírus pode ocorrer durante a gestação por passagem através da placenta; ao nascimento, pelo contato da criança com secreção vaginal contaminada ou no período pós-natal, através do leite materno.

Gestantes com maior risco de adquirirem a infecção pelo citomegalovírus incluem enfermeiras, dentistas, trabalhadoras de creches, professoras de pré-escola, mulheres que trabalham em unidades de diálise e de saúde mental e aquelas que cuidam de pacientes imunodeprimidos.

Os novos hábitos de vida impostos pela vida moderna também têm contribuído para o aumento da infecção. Grande parte das mulheres trabalha fora de casa, o que resulta em um maior número de crianças em creches e escolas de tempo integral. Evidências científicas mostram que entre 25% e 80% dessas crianças adquirem a infecção nesses locais e permanecem eliminando o vírus na saliva e na urina por um período prolongado (acima de 2 anos) podendo transmiti-lo a suas mães e outros membros da família. Quando um indivíduo introduz o vírus em sua casa, 50% de todos os membros da família susceptíveis desenvolverão a infecção em um prazo médio de seis meses.

Quais são os sintomas da infecção?

A grande maioria das mulheres não apresenta qualquer sintoma. Cerca de 10% das gestantes poderão apresentar sintomas facilmente confundidos com um quadro gripal: aparecimento de linfonodos no pescoço (“ínguas”), dor de garganta, febre, mal-estar, prostração.

Quais os riscos para o bebê quando a infecção é adquirida durante a gestação?

O citomegalovírus infecta entre 1 e 2% de todos os recém-nascidos. Entre os bebês contaminados durante a gestação, 5 a 20% apresentam sintomas ao nascimento (baixo peso, microcefalia, icterícia, pneumonia). Entre os bebês assintomáticos, 10 a 15% apresentarão seqüelas que incluem alterações neurosensoriais, epilepsia, paralisia cerebral, atraso no desenvolvimento psicomotor e retardo mental.

Quando a infecção aguda ocorre no primeiro trimestre o risco de seqüelas no desenvolvimento da criança varia de 35 a 45%. Já no segundo e terceiro trimestres o risco varia de 8 a 25% e 0 a 7% respectivamente.

O que fazer quando a gestante adquire a infecção?

Durante a gestação toda mulher tem um risco de 2 a 3% de adquirir a infecção pelo citomegalovírus. Nesses casos, o risco da infecção ser transmitida ao feto varia entre 30 e 50%. A maioria dos bebês infectados não apresenta qualquer sintoma. No entanto, entre 5 a 15% desenvolverão sintomas graves como surdez, alterações oculares ou retardo mental.

A transmissão do vírus ao feto pode ocorrer como resultado de uma infecção materna aguda ou por reativação de uma infecção antiga, uma vez que a presença de anticorpos maternos antes da concepção não previne a transmissão da doença ao feto, mas auxilia na prevenção de lesões graves.

Atualmente o diagnóstico da infecção fetal é realizado pela amniocentese, onde a presença do vírus é pesquisada no líquido amniótico por modernas técnicas de biologia molecular. O exame, para esta finalidade, pode ser realizado a partir do 5º mês de gestação.

Como deve ser feito o acompanhamento pré-natal dos fetos infectados?

Todas as gestantes cujos fetos encontram-se infectados devem ser monitoradas regularmente por meio de exames ultra-sonográficos. As alterações fetais que podem ser observadas incluem restrição do crescimento, ascite, anasarca, dilatação ventricular, polihidramnio ou oligohidramnio, calcificações hepáticas, microcefalia, espessamento placentário, calcificações periventriculares, óbito intra-uterino, hiperecogenicidade intestinal.

Existe algum tratamento durante a gravidez para os bebês infectados?

Até o momento não há nenhum tratamento intra-uterino para a infecção congênita pelo citomegalovírus. Algumas terapias têm sido propostas, todas sem avaliação precisa de sua eficácia. Entretanto, o acompanhamento de crianças cuja infecção foi diagnosticada durante a gestação, tem mostrado uma redução no risco de alterações secundárias de desenvolvimento quando comparado às crianças cujo diagnóstico foi realizado após o nascimento.

O bebê deve realizar algum acompanhamento especial após o parto ?

Todos os bebês de gestantes que contraíram a infecção durante a gravidez devem ser encaminhados para acompanhamento pediátrico especializado. Existem medicamentos que, dependendo do quadro clínico do bebê, podem ser utilizados a partir do nascimento, diminuindo a incidência de seqüelas a longo prazo.

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