Tratamento com "vacinas" em infertilidade: MITO OU REALIDADE?

Data: 
quinta-feira, 1 Março, 2012 - 17:23
 Tratamento com "vacinas" em infertilidade: MITO OU REALIDADE?

Estive em uma brilhante palestra da imunologista Dr. Silvia Daher no dia, a qual me fez pensar, parar e escrever este artigo.

O assunto das vacinas para tratamento imunológico continua sendo extremamente controverso entre os médicos que trabalham com Reprodução Assistida.

Não existe ainda nenhum trabalho cientifico mostrando que realmente são eficazes.

Por outro lado, quando atendo casais que já passaram por 2 ou mais abortos ou já fizeram 2 ou mais ciclos de FIV sem sucesso, sem causa aparente, vem sempre aquela interrogação....

E agora? O que posso oferecer a eles??

Vale a pena salientar algumas informações ditas pela Dra. Silvia:

  1. O feto funciona sim como um aloenxerto, ou seja, por ter genes paternos é como se fosse um transplante para a grávida.
  2. Sendo assim, a gestante terá que ter uma resposta imunológica adequada (resposta protetora) para adquirir uma “tolerância temporária” e aceitar estes genes estranhos por, pelo menos, 9 meses.
  3. Já são conhecidas várias substancias que chamamos de citoquinas que são importantes na manutenção desta resposta ao longo da gestação e em cada etapa da gestação o padrão das citoquinas é diferente. A quantidade de substâncias e reações químicas que acontecem no período pré-implantacional é tão grande que com certeza ainda desconhecemos grande parte do processo.
  4. O que significa o CrossMatch  (o exame que é realizado para ver se a mulher deve ou não tomar as vacinas) ?: Quando ele vem positivo indica que a mulher “reconheceu” os antígenos paternos, porem NÃO INDICA que ela está fazendo uma boa resposta imunológica.
  5. 50 a 80% das mulheres que já tiveram mais de 2 gestações apresentam este exame negativo, ou seja, metade ou mais pode ter o exame alterado sem nunca terem tido problema para engravidar.
  6. Apenas 10 A 20% das mulheres que já tiveram uma gestação normal tem crossmatch positivo. Isto indica que 80 a 90% teriam um cross negativo e teoricamente teriam que tomar a vacina em uma segunda gestação!!
  7. É sabido que o crossmatch positivo não é um fator essencial para o sucesso gestacional.

Com base nestes dados vocês podem estar pensando...Então isto tudo é uma grande besteira, porem eu ainda tenho minhas dúvidas...A resposta imunológica adequada é essencial para que a gestação evolua bem, porem, na minha opinião ainda não temos o tratamento adequado. Segundo a Dra. Silvia algumas substâncias que poderão ser dosadas logo no inicio da gestação são promissoras (LIF – fator essencial para implantação, HLA-G, células NK). Infelizmente nada disponível para uso clinico no momento.

Como explicar então os casos de sucesso após tratamentos com vacinas?

Duas hipóteses: Quando se faz as vacinas, de alguma maneira estamos mexendo no sistema imunológico (o que gera uma outra preocupação em relação a outros órgãos - e não sabemos a conseqüência disto em longo prazo) podendo, para aquele casal especificamente tê-los beneficiado.

Ou então foi coincidência + pensamento positivo – muitas acreditam que agora sim, após as vacinas vai dar certo!! E é comprovado que ansiedade e stress modificam totalmente nosso sistema imunológico.  Sabemos também que mulheres que tiveram 4 ou mais abortos ainda têm 60 a 65% de chance de ter uma gestação normal!

Enfim, na teoria é fácil, o difícil é atender estes casais e simplesmente não propor nenhuma alternativa... 

Dra. Daniella S. Castellotti

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